JOGO: ALQUERQUE

18/04/2010

André Luiz de Souza Araújo
Angela Arantes
Elaine Gomes
Marilia Camargo da Silva


Trabalho realizado e apresentado na Disciplina "Lazer e educação para uma cultura lúdica" no Curso de Especialização da Faculdade de Educação Física da UNICAMP "Educação Física: fundamentação teórica e prática profissional na escola"

Introdução

 

Abordagens de diversas naturezas revelam que a brincadeira e o jogo, de modo especial, na fase da infância, é um elemento nuclear que viabiliza a compreensão e a significação do mundo, influenciando o desenvolvimento individual e social da criança. Para Huizinga (1990), o jogo encontra-se na cultura acompanhando-a e marcando-a desde as mais distantes origens, até a fase de civilização atual. Benjamin (1984) alerta que as crianças e seus brinquedos não constituem nenhuma comunidade isolada, mas são uma parte do povo e da classe que provem. Seus brinquedos refletem um mudo diálogo simbólico entre ela e o povo. Para Sarmento (2003. p. 65), o brincar é uma das atividades sociais mais significativas, porém, diferente dos adultos "as crianças brincam contínua e abnegadamente". Não há distinção para a criança entre o brincar e o fazer coisas sérias, "sendo o brincar muito do que as crianças fazem de mais sério". A brincadeira desenvolvida pela criança nas interações grupais e construída coletivamente, tanto pela influência dos adultos como dos coetâneos, insere-se na experiência da vida e permite à criança a apreensão do seu mundo.

O jogo e a brincadeira possibilitam conhecer o mundo, suas relações, regras, conceitos, diversidades e experiências, ou seja, pode configurar-se com um espaço no qual repete-se as impressões e percepções culturais, sendo um referencial para inúmeras conquistas. Porém, com o decorrer dos tempos muitos jogos foram não transmitidos, esquecidos ou pouco difundidos, entre eles, destacamos o Alquerque, um jogo de tabuleiro jogado no antigo Egito há mais de 3000 anos e foi trazido para a Europa no século VIII pelos guerreiros mouros. Este jogo foi a inspiração para as atuais e mundialmente famosas Damas. É tido como um dos jogos mais antigos do mundo, tendo sido inclusive encontradas suas linhas traçadas no teto do templo de Kurna, no Egito, que teria sido construído por volta de 1.400 a.C. Mas as regras usadas no Egito são desconhecidas. O jogo foi introduzido na Espanha pelos árabes, que o chamavam de "el-qirkat".

Os tabuleiros deste jogo podem ser vistos entalhados em pedra nos claustros da catedral de Norwich e na igreja de St. Mary, em Cavendish, Suffolk, Inglaterra. O tabuleiro é encontrado até mesmo inscrito na sepultura de Sir George Colt, morto em 1520.


Regras do jogo Alquerque

 

Neste jogo, o objetivo básico é a captura de todas as peças do adversário ou atingir uma posição em que o adversário não possa fazer uma jogada válida.

As peças movem-se em um tabuleiro com linhas que se cruzam, uma casa por vez. "Come-se" as pedras do adversário, isto é, saltando-se sobre a pedra do adversário, logo este jogo é rápido e envolve muita estratégia.

Posição inicial e objetivo do jogo: Ambos os jogadores começam com 12 peças, localizada em casas específicas:


   As pedras são denominadas peões e movem-se apenas uma casa para cima, diagonalmente para frente ou na horizontal, não podem andar para trás. Todos os movimentos têm que ser feitos percorrendo as linhas que unem os círculos.
             Se um peão atinge o lado oposto do tabuleiro (a última linha) não pode fazer mais nenhuma jogada e deve aí permanecer até ao fim do jogo.
            Se uma peça se encontra junto a uma peça adversária (em direção para a qual se possa mover) e a casa a seguir, depois da peça adversária está livre, então o jogador tem que capturar a peça adversária saltando-lhe por cima e removendo-a do tabuleiro. A peça capturada irá aparecer sob o tabuleiro (ou sobre dependendo da orientação do mesmo) na seção de peças capturadas para manter os jogadores informados sobre o

estado do jogo.
            Se, após o salto, for possível saltar sobre outra peça do adversário o jogador é obrigado a capturar essa peça também. Quer dizer que o jogador pode capturar várias peças numa única jogada. Neste caso (saltos múltiplos), o segundo salto e seguintes podem ser feitos em qualquer direção, mesmo para trás, e mesmo que um dos saltos passe pela última linha.

             O jogador pode saltar sobre as peças do adversário, não sobre as suas próprias peças. Os saltos são obrigatórios. Uma peça na última linha do jogador (que não pode fazer mais movimentos) pode saltar sobre uma peça adversária horizontalmente. Uma peça não pode voltar ao círculo onde estava na jogada anterior.

 


Referências 
 

BENJAMIN, Walter. Reflexões: A criança, o brinquedo, a educação. São Paulo,     Summus, 1984.


HUIZINGA, J. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. São Paulo: Perspectiva, 1990.
 


SARMENTO, Manuel J. Imaginário e culturas infantis. Cad. Educ. Fae/UFPel, Pelotas (21):51-59, jul./dez. 2003.

 

Sites visitados

www.jogos.antigos.nom.br

 


 

 

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