
REPORTAGEM ESPECIAL - Marcela de Almeida Silva
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Marcela de Almeida Silva nasceu em Porto Feliz, no dia 03 de Fevereiro de 1982. Após realizar o curso da Federação Paulista, através da Liga Campineira de Futsal e se tornar uma Oficial de Arbitragem, vem superando todas as dificuldades e atualmente é considerada uma das melhores do Brasil.
Como surgiu a idéia de ser árbitra de futsal? Na verdade a vontade que eu tinha no início era de ser árbitra mas de outra modalidade, o Vôlei. Até final de 2004 eu acompanhava um time de vôlei do qual a minha irmã fazia parte e como eu não tinha mais idade para competir com elas, eu decidi que queria acompanhar o esporte de outra forma e seria no apito. Passei a procurar por cursos de arbitragem de vôlei e acabei encontrando cursos apenas em São Paulo. Acabei desistindo pois eu não tinha como bancar o curso. Então fui participar de um campeonato de futsal na cidade de Salto. Os jogos eram apenas aos fins de semana. No final de um dos jogos, eu percebi que um dos treinadores estava colando um cartaz com uma propaganda. Foi então que eu parei pra ler e vi que era o anúncio de um curso para formação de novos anotadores e árbitros o qual teria diploma da Federação Paulista de Futsal. Já no dia seguinte eu liguei no telefone indicado no cartaz e tomei maiores informações sobre o curso.
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Quais as dificuldades encontradas quando começou a atuar em jogos oficiais?
Uma das maiores dificuldades encontradas no começo foi o receio que os outros oficiais tinham (mesmo não demonstrando) de trabalhar com uma “caloura”. Porém com o tempo eu pude ir mostrando um pouquinho do meu trabalho e mostrando o que eu havia aprendido até ali.
Qual o jogo mais importante e o momento mais emocionante da sua carreira?
Eu não tenho apenas um jogo como o mais importante da minha carreira, mas são três jogos. O primeiro deles foi um jogo entre o time de Espírito Santo do Pinhal e o time de Itapeva válido pelo campeonato Paulista do Interior da categoria Adulto masculino. Na verdade naquela noite já tinha ocorrido um jogo válido pelo mesmo campeonato só que pela categoria sub-20 e o jogo já havia sido nervoso. Quando eu entrei em quadra e vi aquele ginásio lotado eu já fiquei arrepiada. O jogo estava muito quente e o time da casa estava atrás no placar. Foi quando da saída de bola eu apontei lateral para o time visitante e o capitão do time da casa olhou para mim e disse: “O jogo não vai acabar bem pro seu lado”. Chamei o capitão em minha direção e quando ele se aproximou eu o adverti com cartão amarelo. A torcida ficou agitada. Levamos o jogo até o final e o time da casa ganhou o jogo com um gol faltando 20 segundos para o término da partida. Saí de lá muito elogiada e até hoje quando vou para Pinhal o pessoal comenta daquele jogo. O segundo mais importante foi o meu primeiro jogo oficial pela Federação Paulista. Um jogo válido pelo campeonato Paulista do Interior da categoria sub-20 feminino entre Sorocaba e Sabesp. Eu estava muito nervosa, mas também foi tudo bem. E o terceiro mais importante foi a final dos Jogos Abertos do Interior na categoria feminino entre São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul. Jogo em que eu estava sendo muito observada. Terminou o jogo e eu tremia de tanta emoção. Todos os três jogos têm o mesmo grau de importância pra mim.
Qual é o seu ídolo no esporte e no futsal?
Uma pessoa que eu admiro muito no esporte é o piloto Ayrton Senna. Posso até estar sendo pouco original, mas ele foi um símbolo de amor à pátria e um símbolo de garra e de muita dedicação.
5-Quais são suas aspirações como árbitra?
O que eu mais quero na carreira de árbitra é chegar a ser conhecida nacional e internacionalmente. Quero chegar a integrar o quadro CBF, CBFS e também o quadro FIFA (futebol e futsal). A verdade é que eu quero chegar ao topo tanto da arbitragem de futsal quanto da arbitragem de futebol.
Como é a sua vida fora do futsal?
Tenho uma vida agitada fora das quadras. Estou terminando a minha faculdade de Secretariado e também trabalho em uma multinacional durante o dia. Quase não sobra tempo pra diversão.
Você também gosta de jogar. Como foi a participação da sua equipe na última edição do 50 Horas de Futsal?
A verdade é que eu não jogo nada.rsssss. Resolvemos montar uma equipe com árbitras para participar das 50 Horas de Futsal somente para diversão. A nossa equipe acabou chegando longe e enfrentou o Guarani Futebol Clube na final. Perdemos, mas ficamos felizes por termos ficado com a prata.
Você acha que com o crescimento do futsal feminino, as chances da modalidade ser incluída no programa dos Jogos Olímpicos aumentam?
Com certeza o crescimento do futsal feminino e a recente criação do quadro FIFA de árbitras de futsal irá ser um impulso muito forte para a inclusão do Futsal nos Jogos Olímpicos.
Pra quem você daria o Troféu Fair Play?
O troféu Fair Play vai para todos que independente das dificuldades, correm atrás dos seus sonhos e por mais difícil que eles se tornem, nunca desistem de realizá-los. E também vai para todos que lutam pelos seus ideais sem passar por cima de ninguém. Respeitando o ser humano em primeiro lugar.
Qual o comportamento ideal para técnicos e atletas em relação à arbitragem?
Não sei se existe um comportamento ideal, mas o que a arbitragem espera é estar à vontade para fazer o seu trabalho com muita seriedade e muito discernimento do que está fazendo. Sabemos que por mais que façamos tudo como deve ser feito, estamos sujeitos a desaprovação de treinadores e atletas. O importante é fazer tudo da melhor forma, sem vacilar um instante sequer.
Marcela, por favor, deixe uma mensagem para os internautas do site fs21.com.br
Nunca se abalem com as dificuldades que porventura venham a surgir na caminhada rumo a conquista do seu espaço, pois dificuldades e pedras no caminho sempre irão surgir, só precisamos fazer de tudo isso um aprendizado para a vida. Devemos sempre tentar, pois mais frustrante do que errar é a decepção de nunca ter tentado. Pedras no caminho, sempre vão ter, mas faço delas apenas mais uma para a construção do meu castelo. Abraço a todos.
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