VALORES DO DESPORTO PARA A VIDA

 

Observando uma criança, podemos perceber que o corpo humano, fazendo parte do universo, deve estar em constante movimento e equilíbrio. A criança vira de lado, rola, levanta o pescoço, apoia-se nos braços levantando o peito como se fosse fazer apoio de frente ou flexão, fica de quatro, engatinha, fica de pé, anda e corre tendo como ponto de partida o equilíbrio. A própria natureza mostra que existe uma ordem lógica de desenvolvimento como se fosse uma progressão pedagógica. Não podemos correr sem antes aprender a andar. Podemos também concluir que a perseverança e o ímpeto pelo desafio, embora inconsciente na infância, é inerente ao ser humano, qualidade muitas vezes perdidas quando adultos diante das dificuldades. Quando nos tornamos mais conscientes, os movimentos humanos podem ser refinados passando por uma nova fase de aprendizagem em busca da perfeição. É isso que fazem os atletas. Mais ainda. Tentam romper as barreiras à custa de contusões e por vezes lesões. Com isso, conseguem de uma forma ou de outra saber quais são os limites humanos em determinados movimentos específicos de cada modalidade esportiva. Um piloto de fórmula um, só consegue saber qual a velocidade máxima que ele pode fazer uma curva quando o carro sai e vai parar na caixa de brita. Os atletas pagam com as contusões e muitas vezes lesões e por isso, hoje há quem questione que não sejam bons exemplos de saúde e bem estar. “Bolas”! Exclamariam alguns e perguntariam: Se não é bom, que proveito podemos tirar das competições para as nossas vidas? Vários, eu diria. Em primeiro lugar, com os atletas são testados e aperfeiçoados novos equipamentos, produtos e alimentos visando a performance. A ciência de um lado e a ousadia da tentativa de erro e acerto de outro. Muitos itens da nossa alimentação mudaram em função disso. Em segundo lugar, o planejamento, a determinação, a continuidade e o conhecimento dos próprios limites, são fatores indispensáveis aos atletas servindo para o nosso dia a dia. Se o atleta para chegar ao pódio precisa de planejamento, a vida comum não é diferente, seja no lazer, afazeres, no trabalho, em casa, no casamento, descasamento e, na Educação Física sendo a peça fundamental na conclusão de qualquer ato motor treinado. Se não fosse a ousadia dos atletas viveríamos de teoria e graças a isso muitos mitos caem por terra. Há alguns anos não podíamos imaginar um corredor disputar uma prova internacional de 100 metros aos 32 anos ou um jogador de futebol chegar aos 35 anos batendo um “bolão”. O ciclo da vida segue uma ordem natural. A gente nasce, cresce, fica velho, e morre. Em outras palavras. Liga, acelera, desacelera e pára. Quantas pessoas vivem recomeçando e nunca chegam a lugar nenhum por não terem determinação? Um projeto de vida tem que ter princípio, meio e fim e não podemos cruzar a faixa de chegada sem continuidade e conhecimento. Se levarmos uma vida mais ativa e refinarmos os nossos padrões de movimentos, na velhice a queda será menos acentuada. Podemos planejar o futuro aos 40, 50, ou depois dos sessenta anos. Do exemplo do atleta e das descobertas científicas podemos tirar lições de uma velhice ativa, fazendo regularmente uma atividade que proporcione o prazer, respeitando os limites físicos e fisiológicos. Atitude citada pelo Prof. Dr. Roberto Ferreira dos Santos no III Seminário sobre Atividades Físicas para a terceira idade realizado na UERJ em 2000. Hoje graças também aos atletas temos diferentes formas de controlar a intensidade dos exercícios. O desenvolvimento dos monitores cardíacos é um bom exemplo disso. O prazer, a alegria e a satisfação também pode ser o espelho do atleta. De que vale treinar se não a busca de um ideal? Do atleta é a vitória. De nós simples seres mortais é a qualidade de vida. Hoje podemos fazer qualquer atividade física mantendo o equilíbrio hídrico e salino com mais facilidade ingerindo isotônicos industrializados. Eles foram desenvolvidos em função da necessidade de melhorar o rendimento dos atletas. Tudo isso faz com que possamos ter uma velhice melhor, mas nada disso seria possível sem a orientação dos profissionais de Educação Física cujo conhecimento vem evoluindo numa proporção geométrica. Na Internet basta entrar num site de busca qualquer com os assuntos ligados à área para termos acesso à inúmeras teses de mestrado, doutorado e monografias de graduação de boa qualidade. Há alguns anos poucos chegavam ao mestrado. Isso é muito bom para a sociedade e seguramente esses profissionais exercem uma importância muito grande na área de saúde. A prevenção das doenças que mais matam no mundo tais como a obesidade e a hipertensão pode significar muitos e muitos leitos vazios nos hospitais. Melhor ainda é quando esse trabalho vem integrado como os outros profissionais da área de saúde.

Luiz Carlos de Moraes CREF/1 RJ 003529

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